Francisco Luís: Divulgação de possível acordo de leniência da Odebrecht acelera o golpe

por Francisco Luís, especial para o Viomundo

 “Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.” Eduardo Alves da Costa* (Leia o PS do Viomundo)

Para entender o que se passa no momento atual do Brasil, temos de rever a narrativa dos acontecimentos, visto que a aceleração do processo do impeachment da presidenta Dilma Rousseff  tem relação com a provável delação da Odebrecht, se seria ampla ou restrita ao PT.

Em 22 de março, em nota publicada na imprensa, a Odebrecht menciona estar tratando de um acordo de leniência com a Controladoria Geral da União (CGU), desde dezembro de 2015.

O acordo de leniência, como no caso da Siemens e o esquema de corrupção no Metrô e na Companhia de Trens Metropolitano de São Paulo dos governos tucanos paulistas, tem de ser amplo.

Ou seja, tem de denunciar tudo o que sabe e entregar as provas do que fala,  inclusive os pagamentos de propinas.

O acordo garante proteção judicial aos informantes, desde que não mintam e mantenham segredo dos depoimentos.

O acordo deve também investigar ação de cartel  no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), órgão do Ministério da Justiça atingirá  inclusive governos estaduais e municipais.

A nota da Odebrecht aponta ainda para  isto:

“Apesar de todas as dificuldades e da consciência de não termos responsabilidade dominante sobre os fatos apurados na Operação Lava Jato – que revela na verdade a existência de um sistema ilegal e ilegítimo de financiamento do sistema partidário-eleitoral do país -, seguimos acreditando no Brasil”

A direita entrou em pânico, especialmente o PSDB paulista.

A Odebrecht tem mais de R$ 50 bilhões de contratos, sendo que o principal é concessão da linha 6 do metrô paulista.

É bom lembrar a bomba denunciada aqui no Viomundo pela repórter Conceição Lemes e que a grande mídia segue ignorando: Empreiteiras denunciadas na Lava Jato tem contratos de R$ 210 bilhões com os governos paulistas

O PSDB paulista e os demais golpistas já sabiam disso com antecedência e resolveram agilizar o processo impeachment antes que o acordo de leniência da Odebrecht se concretizasse.

Estranhamente o Ministério Público Federal parece não querer o acordo de leniência

Circulam boatos de que a condição para isso se concretizar seria o Odebrecht denunciar Lula.

Acontece que as listas da Odebrecht, contendo os nomes da linha de frente do golpe — foram vazadas;

Uma derrota para a direita, já que um dos motivos da aceleração do impeachment era impedir que elas viessem a público.

Basta ver a reação da Globo sobre a divulgação de parte das informações das planilhas da Odebrecht. Ainda mais, com a denuncias de que o golpe é para acabar com a Lava Jato, feitas pelo deputador federal Alessandro Molon, da Rede.

O fato é que a ação da  Odebrecht matou o discursos da ética da direita e denunciou a sua hipocrisia, promovendo  o verdadeiro abraço dos enlameados.

Em sua coluna diária na Folha de S. Paulo, a jornalista Mônica Bérgamo afirma o que foi divulgado da Odebrecht é apenas um aperitivo e que um possível acordo de leniência “poderia atingir não apenas quase todo o universo político, mas também setores do Judiciário, da diplomacia, dos militares e até do Ministério Público”.

A cada dia fica mais claro que o golpe, na verdade, é para acabar com as investigações da Lava Jato e implantar uma pauta neoliberal no Brasil. Por exemplo: fim de direitos trabalhistas, como décimo-terceiro, férias remuneradas, fundo de garantia, programas sociais, como o Bolsa Família, e de acesso de estudantes à universidade, como Prouni, Pronatec, Fies; entrega do pré-sal às petroleiras internacionais. 

PS do Viomundo:  A Geração Editorial esclarece:

Os 15 versos na abertura deste artigo  fazem parte, desde 1968, quando foram escritos, de um longo poema do brasileiro Eduardo Alves da Costa, que nasceu em Niterói e vive desde a infância em São Paulo.

Por algum motivo, foram logo atribuídos pelo escritor Roberto Freire, na epígrafe de um de seus livros, ao poeta russo Wladimir Maiakovski.

O equívoco foi corrigido, mas a falsa autoria pegou: os versos foram transformados em pôster pelos líderes estudantis que combateram a ditadura militar, nos anos 70; transformados em inscrição da camiseta amarela da campanha pelas Diretas Já, nos anos 80: e, traduzidos para vários idiomas, transformados em corrente na Internet, nos anos 90. Aí, o autor já não era nem Eduardo nem Maiakóvski, mas Gabriel García Márquez, Bertolt Brecht, Wilhelm Reich e Leopold Senghor, entre outros.

Essas explicações estão na apresentação do livro No Caminho, com Maiakóvski, de Eduardo Alves da Costada, publicado pela própria Geração Editorial

Fonte: Viomundo

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