Por que as manifestações pró-impeachment fracassaram neste domingo?

Sem as presenças dos apoiadores do impeachment FHC, Aécio Neves e Geraldo Alckmin, manifestantes deste domingo tiveram que se contentar com figuras como Lobão e Alexandre Frota. Foi o menor protesto contra Dilma Rousseff desde março. Em SP, carros de som ocuparam ilegalmente as ciclovias e foram multados

Um dos líderes do movimento Vem Pra Rua, Rogério Chequer disse à Agência Brasil que o fracasso de público na mobilização a favor do impeachment da presidenta Dilma Rousseff neste domingo (13), na avenida Paulista, ocorreu pela falta de tempo para divulgação.

“Houve muito pouco tempo de divulgação. É normal que um movimento com menos tempo de divulgação tenha menos gente. Não nos surpreende”, disse.

O líder do Movimento Brasil Livre, Kim Kataguiri, também tentou justificar o público menor com o mesmo argumento: “A gente teve muito pouco tempo para divulgar e organizar essa manifestação”.

Marco Antonio Villa, comentarista da rádio Jovem Pan ligado ao PSDB, afirmou, ao contrário de Chequer e de Kim, que se surpreendeu com a baixa adesão aos protestos.

Contrariado pelo fracasso de público, Villa disse em vídeo divulgado nas redes sociais que o protesto foi um ‘esquenta’. “Eu esperava mais. Mas é uma manifestação por uma espécie de esquenta”, afirmou.

A PM informou que a manifestação reuniu 30 mil pessoas. Já segundo o Datafolha, o ato na Paulista reuniu 40.300. De qualquer modo, é o número mais baixo nas manifestações deste ano: em março foram 210 mil; em abril, 100 mil; e em agosto, 135 mil. Em relação à primeira manifestação, o público de ontem teve uma queda de 80% pelo menos.

Sem caciques

Fernando Henrique Cardoso, Aécio Neves e Geraldo Alckmin, caciques tucanos defensores do impeachment, mais uma vez não compareceram aos atos que pedem o impedimento de Dilma Rousseff.

Classe artística

Um dos únicos representantes da classe artística na marcha deste domingo, na Avenida Paulista, foi o ator Alexandre Frota, que disse representar a “classe artística de bem”. O músico Lobão também esteve presente e tirou algumas selfies com manifestantes.

Nas últimas semanas, manifestos que repudiam o pedido de impeachment liderado pelo PSDB e por Eduardo Cunha (PMDB-MG) foram rechaçados por artistas, intelectuais, professores, reitores de universidades, juristas e 16 governadores.

Alexandre Frota é um dos poucos aliados de Aécio e Cunha.

Mídia

O fracasso das manifestações deste dia 13/12 frustrou os grandes veículos de comunicação do Brasil.

Globo, Abril, Folha e Estadão haviam preparado suas equipes para uma cobertura especial. Frustraram-se por causa da baixa adesão popular.

Multas

Seis carros de som que foram estacionados na Avenida Paulista, região central de São Paulo, foram multados pelos agentes da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) no domingo (13) por bloquearem a passagem de bicicletas na ciclovia.

“A CET tem um padrão, ou seja, os agentes de trânsito obedecem ao Código Nacional de Trânsito. Se você tem um local onde não é permitido veículo motorizado e o veículo está lá é um procedimento do próprio agente de tomar medidas”, afirmou o secretário municipal de Transportes Jilmar Tatto nesta segunda-feira (14).

Segundo Tatto, diferente do que os grupos que organizavam o ato informaram, os veículos não tinham autorização para estacionar sobre a ciclovia. A Avenida Paulista é aberta aos pedestres e ciclistas aos domingos e recebe milhares de pessoas. Os veículos são proibidos de circular pela via das 10h às 17h.

O ensaio

O jornalista Mauro Donato, do DCM, esteve na paulista neste domingo e escreveu um relato sobre o que viu. Leia trechos abaixo:

Dezenove pessoas (contei) prestavam atenção. Uma cartolina afixada na frente do caminhão de som informava que Olavo de Carvalho teria razão a partir das 13:00. Já eram 15:30 e me parecia que a racionalidade estava em outra galáxia.

Lobão fazia selfies. Uma ‘militar’ de uniforme camuflado e identificação Gracinha Felix marchava com ar obstinado. Um quinteto asmático ou afônico, não sei, batucava panelas. Cães de raça, caros, delicados e escovados, trajavam verde e amarelo.

Em algumas camisetas havia a estampa de uma mão espalmada sobre a inscrição ‘Basta’. Falta o dedo mindinho. É um basta Lula. A mão é preta. É um basta negros? Pode ser. Quase não se vê negros. A proporção reflete à perfeição a parcela da sociedade que está reunida ali.

Qual parcela?

Aquela que não quer ver a Paulista fechada para carros aos domingos mas se for para eles, tudo bem.

Aquela que não gosta de nenhum protesto que bloqueie o trânsito desde que não seja o protesto deles.

Aquela que tanto criticou o Passe Livre mas que hoje queria a catraca do metrô liberada. Aliás no metrô ela é facilmente identificável: Por mais perto que esteja da Paulista pergunta qual a direção a tomar, qual a estação a descer, não aguarda que as pessoas saiam do vagão antes de entrar, e (simbologia máxima) não respeita a esquerda livre na escada rolante.

Aquela parcela que berra ‘Chega de corrupção’ enquanto empunha bonecos pixulecos infláveis mas ali na avenida fomenta o comércio de produtos irregulares. Camisetas “Fora Dilma’, bandeiras, bugigangas. Perguntei ao vendedor: “Como está o movimento?” “Mais fraco que nas outras vezes” “Quem fornece essas camisetas para você, de quem você compra?”, ele desconfiado desconversa: “Ah, a gente compra aí, não sei quem faz não.” “Você tem nota fiscal se alguém te pedir?” “Ninguém pede.”

Chega de corrupção, não é mesmo? Incentivaram um comércio ilegal praticado por camelôs que se fosse em frente ao ponto comercial deles sabemos como reagem.

Que tipo de gente democrática é essa que acredita que pode tudo? Que só é permitido quando é a vez deles? Que só vale o que for para eles?

Foi a menor manifestação pró-impeachment do ano. Mas o que era de se esperar? Segundo eles mesmos, mais nada. Foram ‘pegos de surpresa’ (?!?!?!) então foi preciso organizar muito em cima da hora.

Todo caminhão de som procurava justificar a pouca presença de público: muito calor, ameaça de chuva, indiferença da imprensa, que deveria-se levar em conta que tratava-se só de um ‘esquenta’, uma preparação (isso é genial, como se manifestação fosse algum evento olímpico que necessita de ensaio).

Fonte: Pragmatismo Político

Publicado por

Joelson Ribeiro Macêdo

Estudou Geografia na UCSAL, Agente Político, militante do PCdoB, sindicalista e ex-secretário Municipal de Esporte e Lazer de Camaçari - Bahia. Conselheiro da Cidade do Saber e Assessor do Executivo Municipal. Filho de Camaçari, apaixonado pela minha cidade! "De bem com a VIDA"

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