Os R$ 975 mil do iFHC são agulha no palheiro tucano

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O aspecto mais interessante na revelação do contrato de R$ 975 000 entre a Odebrecht e o Instituto Fernando Henrique Cardoso reside no próprio vazamento.

Pudemos saber que entre dezembro de 2011 e dezembro de 2012, o Instituto de Fernando Henrique recebeu R$ 75 000 durante dez meses e uma contribuição de R$ 150 000 empresa de Marcelo Odebrecht.

Também pudemos tomar conhecimento de uma instrutiva troca de e-mails entre uma funcionária da Brasken – uma das empresas do grupo – e o IFHC. Negociando o pagamento de uma palestra de Fernando Henrique, que acabou cancelada, uma funcionária esclareceu que “há duas maneiras de se fazer “a doação”: uma “doação direta”, que geraria um recibo, ou “a elaboração de um contrato, porém não podemos citar que a prestação de serviço será uma palestra do presidente”.

Logo depois que uma das empresas de Luis Claudio Lula da Silva ter sido alvo de uma operação de busca e apreensão, FHC disse que Lula precisa “esclarecer” acusações que têm sido veiculadas contra ele.

O contrato de R$ 975 000 e o e mail com a historinha sobre o pagamento de uma palestra ajuda a colocar algum realismo na discussão que o país tem feito na última década.

Mostram que ambos viveram e frequentaram um mesmo universo, um mundo “opaco”, como gosta de dizer o filósofo José Arthur Gianotti, amigo de FHC desde os anos 1960.

Estamos falando do não-transparente, do obscuro, sustentado por uma hipocrisia de conveniência, que tenta convencer o país inteiro que não é preciso discutir política, nem diferenças entre pobres e ricos, nem necessidades diversas e até opostas – mas uma caricatura de mocinhos e bandidos, ou intelectuais sofisticados e sindicalistas aproveitadores ou, porque  é aí que eles querem chegar,, entre ricos educados e pobres sem instrução.

Na realidade, os R$ 975 000 são uma agulha num imenso palheiro que as autoridades não investigam, não apuram. A Polícia Federal só chegou a esses dados porque foi investigar a Odebrecht durante o governo Lula e, tchan, tchan, tchan… apareceram as contribuições para o Instituto de Fernando Henrique. Assim, por acaso. Quem sabe por azar. Em 2002, quando  Fernando Henrique montou o IFHC, a bolada inicial foi oferecida por um grupo de empresários amigos, reunidos no Alvorada para um jantar. Detalhe: naquele momento,  FHC ainda não deixara o Planalto. A caneta presidencial ainda estava em seu poder. No mesmo palheiro se encontram o metroduto de São Paulo, as privatizações, o esquema de compra de votos que permitiu a reeleição de FHC, o mensalão PSDB-MG.

Mesmo o dinheiro das empresas que operam com a Petrobras só é propina quando se dirige a partidos que apoiam o governo Lula-Dilma. É moeda patriótica quando vai para seus adversários.

Sempre se pode perguntar, numa operação dirigida por delegados reconhecidamente simpáticos ao PSDB e adversários do PT, em alguns casos no nível da ferocidade, se o vazamento de R$ 975 000 é um recado a seus protetores políticos, num momento em que sua atuação é questionada em vários aspectos, a começar pelos grampos ilegais na carceragem de Curitiba.

De vez quando desse mundo encantado, do silêncio absoluto, acaba vazando alguma coisa. Foi o que aconteceu.

Categorias: Destaque, Política

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Estudou Geografia na UCSAL, Agente Político, militante do PCdoB, sindicalista e ex-secretário Municipal de Esporte e Lazer de Camaçari - Bahia. Conselheiro da Cidade do Saber e Assessor do Executivo Municipal. Filho de Camaçari, apaixonado pela minha cidade! "De bem com a VIDA"

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