EUA indiciam Ricardo Teixeira e Del Nero por envolvimento em esquema de corrupção da Fifa

Ex-dirigentes da CBF podem ser presos pela Interpol caso deixem o país; eles são acusados de corrupção durante gestão à frente da entidade de futebol

A procuradora-geral dos Estados Unidos, Loretta Lynch, formalizou nesta quinta-feira (03/12) acusações contra 16 dirigentes e ex-dirigentes de altos cargos da Fifa, entre os quais estão os brasileiros Ricardo Teixeira e Marco Polo Del Nero. Eles são responsabilizados por “abuso contínuo” de sua posição no organismo para enriquecimento próprio.

Na lista na qual está Teixeira, ex-presidente da CBF, e Del Nero, atual mandatário do organismo nacional,  também aparece o ex-presidente de Honduras Rafael Ruelas, que governou o país centro-americano entre 1990 e 1994 e atualmente é integrante da Comissão de Marketing e Televisão da Fifa, como informa o documento divulgado pelo governo norte-americano.

Após tomar conhecimento das denúncias, Del Nero pediu afastamento do cargo para se dedicar à sua defesa. O dirigente indicou Marcus Antônio Vicente, que dirigiu a federação capixaba por 20 anos, para comandar interinamente a CBF. Se saírem do Brasil, Teixeira e Del Nero podem ser presos pela Interpol.

“Não contentes em sequestrar o esporte mais popular do mundo por décadas com lucro ilícito, estes acusados tentaram institucionalizar sua corrupção para garantir que poderiam viver dela, não pelo bem do jogo, mas para seu próprio engrandecimento pessoal e o aumento de sua riqueza”, disse Loretta em entrevista coletiva. “A mensagem deste anúncio deve ficar clara para todos os culpados que permanecem nas sombras, com a esperança de evadir nossa investigação. Vocês não vão escapar”, acrescentou.

As novas acusações atingem especialmente dirigentes da América Central e da América do Sul, entre os quais aparecem os presidentes da Concacaf, Alfredo Hawit, e da Conmebol, Juan Ángel Napout, detidos hoje em Zurique.

Agência Efe

Presidentes da Concacaf e da Conmebol foram presos nesta quinta

Outros afetados são o presidente da Federação Equatoriana de Futebol, Luis Chiriboga, assim como aos argentinos Eduardo Deluca e José Luis Meiszner, ambos ex-secretários-gerais da Confederação Sul-Americana.

Comitê de Ética da Fifa suspende Joseph Blatter, Michel Platini e Jérôme Valcke por 90 dias
Alemanha é acusada de comprar votos para sediar Copa do Mundo de 2006; Federação nega
Agência internacional acusa Moscou de encobrir esquema de doping de atletas russos

O ex-presidente da Fepafut (Federação Panamenha de Futebol) Ariel Alvarado, também se encontra entre os acusados aos quais os EUA querem julgar em seu território, segundo Loretta.

Para justificar os pedidos de extradição dos líderes da Fifa, a procuradora-geral americana argumentou que as negociações para intercambiar influências e dinheiro ilícito ocorreram no país e que, além disso, os acusados utilizaram os bancos de Wall Street para mascarar os subornos.

Investigações

As novas acusações quase dobram o tamanho da macro-investigação contra o organismo máximo do futebol mundial, que recebeu seu primeiro golpe em maio passado, quando a justiça dos EUA formulou acusações de corrupção publicamente contra 14 pessoas, dos quais sete foram detidos na Suíça.

Entre os detidos, apenas dois aceitaram voluntariamente a extradição, o americano Jeffrey Webb e José María Marin, também ex-presidente da CBF.

Agência Efe

Del Nero se licenciou do cargo para responder às acusações

A Conmebol garantiu, nesta quinta, que cooperará na investigação sobre os fatos relacionados à detenção de seu presidente, o paraguaio Juan Ángel Napout.

Presidente interino

O camaronês Issa Hayatou assumiu hoje como presidente interino da Fifa. Após assumir o cargo, ele afirmou taxativamente que não está envolvido em qualquer ato ilícito.

“Não estaria aqui se fosse assim. Eu nunca recebi um dólar ou euro para votar por alguém na organização de uma Copa do Mundo. Há indivíduos que mostraram um comportamento negativo, mas não se pode generalizar. A Fifa não é corrupta”, garantiu o dirigente, após ser interpelado de maneira direta por um jornalista.

Com o objetivo de reestruturar a entidade internacional, o Comitê Executivo da Fifa limitou a três mandatos de quatro anos os mandatos de presidente.

* Com Agência Efe

Publicado por

Joelson Ribeiro Macêdo

Estudou Geografia na UCSAL, Agente Político, militante do PCdoB, sindicalista e ex-secretário Municipal de Esporte e Lazer de Camaçari - Bahia. Conselheiro da Cidade do Saber e Assessor do Executivo Municipal. Filho de Camaçari, apaixonado pela minha cidade! "De bem com a VIDA"

Deixe uma resposta